17.4.12

Enquanto não ando de limusine

Meu irmão sempre me diz que sou um para-raios de malucas, dou risada, mas no fundo sei que é verdade.
Ontem saí aqui do trabalho e aguardei o ônibus chegar, peguei o Aclimação porque tinha vindo primeiro e é um ônibus mais vazio, onde dá pra ir sentado apreciando uma boa leitura.

Entrei no ônibus e, como não tinha lugar para me sentar, fiquei pé encostado no canto mesmo, lendo um livro novo que comprei do Buwoski. Eis que do chega uma mulher e fica na minha frente, ela era ruiva, baixinha, aparentava ter minha idade ou pouca coisa mais velha, estava com uma daquelas blusinhas soltas tipo bata, uma leging roxa e no pé um par de havaianas. Chegou em mim com aqueles comentários de sempre.
- Nossa... ônibus lotado.
- Verdade. Disse isso olhando rápido o onibus e voltando para a minha leitura.
- Você conhece o John XXXX*? (não me lembro o nome do cara) disse ela olhando pro meu livro.
- Não, não conheço não, por quê?
- Então, o Bukowski começou a escrever depois de ler ele, leu e disse ‘Isso eu posso fazer’, é muito bom.

Nessa hora comecei a pensar que Buwoski era foda mesmo, afinal uma pessoa vir falar contigo porque está lendo ele, ninguém nunca abordou um cara que estava lendo a Bíblia, então já sabe o que quero dizer.

Depois disso ela me pediu o telefone emprestado e ligou para um cara vendendo um ingresso de um tal de Sebastian Bach (o único que conhecia era aquele de séculos atrás) após a ligação, começou a falar do dia dela que ela fez um escândalo na agência bancária porque a não deixaram sacar o cheque do salário, disse que derrubou as coisas, que o pessoal começou a falar que ia chamar a policia, que ligaram pro chefe dela e o cara xingou ela e passou o telefone de um psicólogo e começou a me pedir conselhos de como processar a empresa, a moça falava alto e rápido, parecia uma metralhadora.

Nessa hora já pensei, Bukowski é um caraio quem atraiu essa louca fui eu, tenho algo em minha cara que atrai as loucas, fechei o livro e comecei a ouvi-la, não dava pra dialogar com ela, só ela falava e eu concordava, eu sequer conseguia disfarçar minha falta de interesse, ela continuava falando e fiquei torcendo para que ela descesse no mesmo ponto que eu e eu chamasse ela pro motel pra explicar melhor essa história, cheguei a ficar de pau duro pensando nessa possibilidade, ao mesmo tempo fiquei pensando no que poderia dar errado já que ela não ia muito bem das faculdades mentais, é difícil colocar o pau na boca de uma pessoa que pode morder a qualquer momento.


Não consegui também falar nada mais íntimo com ela porque todo o ônibus ouvia nossa conversa, essas pessoas doidas falam alto e eu estava louco pra dar risada da situação, de repente ela começou a pedir conselho pra uma japonesa que estava na frente, voltei para meu livro, mesmo assim não conseguia dar atenção à leitura, ela falou mais um pouco comigo até chegar meu ponto, foi uma pena, ela não ia descer naquele ponto! Desci e tinha um monte de gente descendo do busão, uma loira magrinha dos peitões foi descer na minha frente e o motorista fechou a porta nela, juro caras, deu no meio da mina, ela ficou tipo travada na porta, a porta amassando os melões dela e ela dando uns socos na porta pra ver se abre e o povo gritando "Olha a moça presa aqui" abriu-se a porta e a mina saiu, visivelmente sem-graça e nervosa foi pra frente e começou a xingar o motorista, comecei a andar na frente e louco pra sair de vista dela.

Parei numa esquina e comecei a rir, rir muito! Da doida do busão e da loira que se fudeu na porta, finalmente consegui me divertir andando de busão, foi melhor que da vez que achei 200 pratas no acento.

*Se esse autor existir mesmo, me avisem. Quero o nome.
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3 comentários:

Bagis Bueno disse...

rsrsrsrsrsrsrsrs... achei que o texto era seu rsrsrsrsrs esses homens!

Bagis Bueno disse...

aliás, é seu... o autor que vc qr saber se existe mesmo, não é? rsrsrsrsrs

C.Q.C.M. disse...

Sim, o texto é meu mesmo. Se souber o autor da louca, avise-me

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