29.8.06

Reflexões

As vezes quando paro para pensar, começo a olhar para o mundo. É muito mais fácil olhar para ele e entende-lo que olhar para mim mesmo, as vezes acho que sei das coisas, as vezes ponho em dúvida o que sei ou o que sou, as vezes faço planos quero mudar ir a um lugar distante quem sabe uma forma de recomeçar, as vezes quero ficar somente do jeito que estou vivendo por simplesmente viver, sorrir de vez em quando, chorar mesmo sem derramar lagrimas algumas vezes e esperar, esperar, esperar para que a vida passe, as vezes busco um rumo, tento achar um para seguir, porém nada me entusiasma tanto assim.

Um dos receios que me vem a mente é no final, em um certo ponto descobrir que aquilo que você tanto quis não valeu seu esforço tampouco seu querer, ver que você se enganou todo esse tempo, ver que após se matar de procurar um rumo descobrir que nunca houve um rumo.

As vezes acho que devo fazer as coisas simplesmente por obrigação, contra a própria vontade simplesmente como um meio para um fim, mas afinal de que adianta a vida se não se pode viver de fato? Que adianta viver para respeitar doutrinas, virtudes, regras, castigos, conseqüências, ameaças ou pelo simples medo – que é o primeiro sentimento humano, antes do amor, ódio, inveja, alegria: o medo, o que você faria se não sentisse medo?

Essa liberdade é estranha, você abdicar de um desejo por conta de algum outro juízo. Liberdade, o que significa isso? Você fazer o que deseja? Mas como saber se eu realmente desejo o que desejo? Como saber se tudo isso faz sentido? Como será olhar para o mundo como senhor absoluto de si mesmo.

É uma vida realmente cheias de dúvidas e poucas certezas, e as vezes quando uma antiga certeza se torna dúvida entramos em crise, uma crise que só aumenta os questionamentos e não se obtém nenhuma resposta.

As vezes eu acho que pensar, pensar,pensar não adianta nada... mas com certeza é uma coisa para poucos parar p’ra pensar e se questionar “porque”, acho que isso que temos de diferente dos outros que simplesmente aceitam as coisas como elas são, não é questão de inteligência pois muitas pessoas cultas só sabem o que sabem porque adquiriu de alguém que procurou e encontrou respostas.
Me pergunto se sou louco, se sou muito emocional ou muito racional. Entretanto agora tenho muitos mais dúvidas que certezas, se é que tenho certeza de algo, o que resta é viver, fazer o que os outros fazem.

Escrito por Brandão que repete, pensar enlouquece, pense bem...

19.8.06

Carnívoros


Manipular as pessoas, convence-las, sempre foi uma necessidade humana, em qualquer convívio social isso se faz necessário, fazemos isso com os amigos, namoradas(os), familiares, companheiros de trabalho até mesmo inimigos, quem consegue dominar essa arte consegue alguns sucessos desde o mais singelo ao mais almejado, a vida social é isso.

O que me fez pensar melhor a respeito disso foi assistir a um clássico documentário “Faces da Morte”, para quem não conhece, não passa de um apanhado de cenas reais de acidentes, ataques, abatimentos, suicídios e etc.

O que mais me chamou a atenção foram alguns métodos de abates de animais, em uma das cenas um garçom traz um macaco ainda vivo o prende numa armadilha na mesa de uma forma que só a cabeça do infeliz do macaco ficasse a mostra na mesa, então os clientes da mesa pegavam um pequeno porrete e batiam na infeliz cabeça do infeliz animal até desfalecer em seguida comem o cérebro do bicho – carne mais fresca que essa só se comesse o bicho vivo o que seria difícil. Mas o fato está que as pessoas afirmavam que comer o cérebro lhes trariam uma inteligência divina e pagaram uma fortuna pela iguaria – vocês achavam que só o Rui era escroto?

Daí se percebe como algumas pessoas pegam nojo de carne, viram vegetarianos e começam a comer carne de soja! É exatamente nesse ponto que eu queria chegar, existem uma boa quantidade de sites que divulgam essas cenas para tentar acolher cada vez um número maior de adeptos, um golpe realmente baixo, pois algumas pessoas acabam sentindo culpa pela crueldade humana, deixando assim de apreciar um suculento churrasco por causa disso. A culpa de certa forma também está nessas pessoas que nem sequer quando compram seus bifes têm em mente “isso já foi um boi vivo” e com certeza o abate não é uma coisa linda de se ver, mas quando comprar seu bife pense na trajetória do bife, reflita bem, assim se você REALMENTE gosta de carne vai ficar com a carne do mesmo jeito, caso contrário saia do mercado e vá mascar mandioca e comer legumes.

Uma das coisas boas da Idade Média talvez seja que os legumes só serviam para ser jogados em condenados, surrados e artistas de peças de teatro de gostos duvidosos, talvez essa seja uma das explicações de tantos famintos naquela época, mas isso não vem ao caso agora.

Faça o seguinte alugue o documentário, imprima o Manual do Churrasco, vá a algum churrasco alheio e exiba a fita com certeza vai sobrar carne.

Escrito por CQCM que assistiu ao documentário comendo um bife do tamanho do pé do Natanael.

9.8.06

Assim falou Sr. Fernando




Centro de São Paulo, 27 de julho de 2006.
Era uma quinta feira nublada, com todo aquele movimento da região por volta das 10:30, Sr. Fernando passava desapercebido com um elegante terno cinza com risca de giz, sapato bico quadrado, um broche com um símbolo desconhecido brilhava em seu peito, aparentava seus mais ou menos 50 anos, subiu num caixote e começou a falar no microfone: “Maldito sejam os tempos modernos!”.
Ninguém lhe deu atenção por pensar que era mais um velho pregando a palavra da Bíblia, algum candidato fazendo comício ou algum vendedor de ervas medicinais amazônicas, mesmo assim Sr. Fernando continuou:
“Políticos desonestos roubam o dinheiro público, são absolvidos, aplaudidos de pé e reeleitos, mesmo assim por pior que seja um governo, nada chega aos pés da escrotice desse povo de merda! Dessa raça cretina de vagabundos alcoólatras, quengas materialistas, jovens pedantes, neo-liberais fabricados, esses sanguessugas da piedade e da passividade!!!”. A essa altura alguns começaram a parar para ouvir o que Sr. Fernando tinha a dizer.

“Essa raça subserviente, assistencialista, tacanha, alienada e perdidas no tempo e espaço...
Esse povo pobre que diz que come pouco, mas caga toneladas, esses ignorantes que vivem dizendo que não tem sorte na vida, mas quando sobra qualquer dinheiro torra tudo em cana e raparigagem!!!
Essa gente que não tem nem condições de se auto-sustentar, mas vive por aí fazendo filhos, e como se não bastasse os rebentos ao léu, criam todo tipo de animal sarnento em seus quintais mal-acabados e sujos por pura parasitagem e falta de higiene!”

A essa altura muitos já o xingavam, outros o apoiavam batendo palmas e mesmo assim o velho só havia parado para beber um gole de água e limpar o rosto com um lenço e continuou com seu discurso.

“Essa massa de formadores de opiniões, destilando a pior de todas as culturas politicamente corretas da história, tanto por meios impressos, televisivos, sonoros e culturais. Esses formadores que só deformam as opiniões, essa raça que segue tendências em vez de seguir sua própria natureza – Filhos de uma puta, são isso que são!!! (Gritos de exaltação).
Esses jovens que maltratam seus ouvidos com musica que não presta, que sabem mais da intimidade de celebridades do que a história do Brasil, a verdadeira história do Brasil que muitos não querem que saibam.
Esse bando de gente que só se incomoda com coisas banais. VÃO PRO INFERNO PALHAÇOS!!!”

Antes de terminar o discurso, Sr. Fernando foi interrompido por 2 homens de terno preto e óculos escuros, que quebraram o microfone e a caixa de som.
- O senhor queira nos acompanhar.
- Mas eu estava.
- Por favor senhor, nos acompanhe.

Sr. Fernando foi levado para dentro de um Ford Ecosport preto com os vidros escuros depois de relutar para entrar num carro de tão mau-gosto, eles deixaram cair uma carta com uma nota à imprensa:

A A.C.R.I.F. INFORMA QUE NÃO TEM NADA CONTRA UMA PESSOA EXPRESSAR SUAS OPINIÕES, ENTRETANTO QUE NÃO OFENDA E NEM COMETA PRECONCEITO CONTRA UMA RAÇA, RELIGIÃO, PROFISSÃO, ORIGEM OU ORIENTAÇÃO SEXUAL.
A PARTIR DO MOMENTO QUE O SR. FERNANDO USOU A PALAVRA “PALHAÇO” PARA OFENDER ALGUÉM, ELE COMETEU PRECONCEITO CONTRA O PROFISSIONAL QUE VIVE DE FAZER AS PESSOAS RIREM, TAMBÉM OFENDEU OS REBENTOS DE PROFISSIONAIS FEMININAS DO SEXO AO USAR O TERMO “FILHO DA PUTA”.
O ACUSADO SERÁ ENCAMINHADO À DELEGACIA DE REPRESSÃO AO PRECONCEITO E RACISMO.

Arnaldo Vettorazzo
DIRETOR DA A.C.R.I.F.

Achei isso muito suspeito então decidi investigar, mas não sabia o que estava prestes a descobrir...

CONTINUA

6.8.06

Super-Rui: Um Herói diferente

Numa Vila chamada de “Malocão” um subúrbio qualquer da capital paulista, daqueles cheios de cortiços, casas invadidas, butecos, mulheres desdentadas, crianças as margens da calçada somente de fralda chupando um caroço de manga (talvez daí venha a expressão: O cão chupando manga), era ali que havia nascido que crescido Rui, numa casa de alvenaria humilde, eram somente ele e sua mãe.
Desde pequeno Rui estava acostumado a se apegar aos bebuns que sua mãe levava para casa de vez em quando, ela vivia nos bares satisfazendo os desejos carnais de matutos virgens e trabalhadores braçais.
Cabelo agalegado, algumas espinhas no rosto, corpo franzino, camiseta da Pakalolo, bermuda jeans na altura da canela, chinelo Rider, boné do Chicago Bulls e um óculos escuro qualquer – esse é nosso herói.

Uma espécie de Batman do gueto é assim que ele parece com seus apetrechos: revolver de bolinha de sal vulgo paga-sapo, soco inglês, bicicleta cargo roubada e a corrente que usa para estacionar seu veiculo e também como arma. Domingão ele acordou inspirado pra “missão” tem feira e hoje é dia de ganhar uma ‘moeda’ já acorda com uma certa disposição, passa um sabão de côco embaixo do braço, coloca sua farda e sai esfregando as mãos, logo no começo da feira ele já vê uma coroa saindo de um Santana preto “É essa!” pensa ele, que já se aproxima à quase um dedo do rosto da coroa e diz “Tem um real aí tiazinha!?” a coroa começa a procurar em seus bolsos e acha um punhado de moedas e lhe dá “Só um real?” diz ele pegando sua arma da cintura “Passa o tchules pra cá” ela o olha sem entender e ele completa “Dá o dinheiro!”, mas logo ao pegar a bolsa, passa Sebastião velho morador da vila que lhe manda devolver à pontapés.
Depois dessa humilhação ele sai de lá bufando com algumas frutas na sacola, “não vai ficar assim não!” no dia seguinte à tarde enquanto Tião está trabalhando ele passa na casa de sua mulher:
-Fala Dona Solange, o Tião tá aí!?
-Você sabe que ele não tá Rui, que que você quer!?
-Nada eu queria vender um negócio pra ele.
-As bolsas que você rouba por aí? Para com essas graças que eu sei muito bem o que você quer!
-Sabe né? O que você acha?
-Eu gosto muito do meu marido.
-Não vem com essa não, tô com um negócinho pra nóis, o fininho pra gente fumar e o grosso só você fuma.
-Entra pra tomar um café!
-Ah! Esse é o nome agora! Diz Rui olhando por cima de seus óculos enquanto Dona Solange dá um sorrisinho safado.

Logo entrando Rui já chega metendo a mão nos peitos da velha que já tinha a fama de danada, tira a roupa, fica só com o bermudão jeans e vai buscar um copo de água pra refrescar, vê nos fundos as crianças brincando no barranco, vai direto ao quarto do chifrudo conduzido por Dona Solange que o puxa pela rola, naquele calor os dois se esfregando, suando bicas e nada de Rui gozar até que Solange o apressa, ele diz que demora e que para ser mais rápido precisaria “do esgoto” ela reluta por um certo tempo, mas cede.
Rui em sua escrotice termina o trabalho mandando a velha chupar “Mas tá sujo, de mer... ” dizia ela até ser interrompida por Rui que enfia o cacete na boca da velha e acaba logo com o assunto, depois disso ele libera um pouco mais de erva pra velha que fica deitada na cama enquanto Rui vai ao banheiro de cueca mijar, um dos filhos entra em casa e vê a cena perplexo e pergunta de sua mãe, Rui como um bom escroto manda ele ir a merda, coloca sua roupa e vai para o portão conversar com os traficantes da área.

Ao chegar Sebastião se depara com sua mulher deitada na cama só de camiseta “Já tava me esperando né!” diz ele pulando na cama, Solange tenta se levantar, mas ele a agarra e lhe beija como um corno apaixonado, deixando aquela saliva com gosto de buceta, piroca, cu e conseqüentemente merda, descer pela garganta “Que beijo gostoso” diz ele fechando os olhos e delirando.
Logo após a breve brisa ele cai de boca na xoxota da velha e assim foi a noite do casal, enquanto isso Rui está no portão conversando com Kelson o traficante da área que lhe diz ter flagrado o filho do Lobiza socando a mandioca no filho de Sebastião e ter batido nos dois.
Rui como sempre nem pensa, sai correndo e vai até a casa de Tião, lá encontra o maricas dançando Axé:
-Cadê seu pai e sua mãe?
-Tão trancados no quarto desde que ele chegou.
-Há! Há! Há! Há! Quer dizer então que o seu pai virou homem!
-Como assim, meu pai é homem!
-Ele é um corno e você é uma bicha fresca seu pêra!
-Hã!?
-Não se faz de bobo não! Eu te vi sendo enrabado pelo filho do Lobiza, seu escroto!
-Eu... tava...
-Dando a bunda, eu sei! Eu sei que se gosta, você leva jeito... fala a verdade... [passando a mão na nuca do garoto] é normal eu tenho vários amigos que não gostam da fruta, fala a verdade vai.
-É gostoso mas... O maricas é interrompido no meio da frase com a piroca de Rui na boca, depois de um tempo Rui guarda seu membro deixando o garoto somente com saliva na boca olhando a linha de cintura com uma risadinha no canto da boca, Rui pula a janela da casa, abre a geladeira pega um pote de manteiga e joga a rola dentro, depois exibe ao garoto “Cê gosta de manteiga” diz ao garoto que caminha para a manteiga, mas Rui o vira de costas e o convence a dar a bunda, o garoto relutou por um tempo mas cedeu com uma frase de putinha “Põe só a cabeça”, Rui chega e delicadamente mete os 19 cm no rabo do nabo que dá um pulo e sai correndo chorando, deixando um rastro de merda, Rui também chora, mas de rir! Enquanto tenta parar de rir limpa a merda do pau no pano de prato e sai andando pra casa.

No outro dia Rui acorda tarde, pois na noite anterior estava ocupado rindo que nem louco de sua vingança, assim eram as vinganças e qualquer coisa que Rui fazia: escrota até o final. Mas quando está abrindo a porta é surpreendido por Sebastião com um revolver na cara, nosso herói fica branco, mas numa distração ele toma a arma de Sebastião segurando pelo tambor do revolver para não poder disparar, joga a arma longe e naquele quarto de 4 metros quadrados, o chicote estrala, mas Tião acaba levando a pior sendo imobilizado de bruços com Rui por cima o segurando:
-Caralho! Cê tá louco! Por que você quer me matar!?
-Você é um cuzão, transou com a minha mulher e comeu o meu filho!
-Hã!?
-Ele me contou, minha mulher tudo bem, mas meu filho é foda!
-Deixa disso você sabe que sua mulher dá pra todo mundo e você sempre disse que desconfiava do seu filho, ele tava dando pro filho do Lobiza... Ninguém mandou você atravessar a minha missão, certo!? Diz Rui roçando o saco no lombo de Tião que se retorce tentando sair.
-EU VOU TE MATAR!
-E eu vou te comer. Diz Rui no ouvido de Tião que começa a ficar quieto e calmo para surpresa de nosso herói.

Depois disso a amizade de Rui e de Tião nunca foi tão boa, virou amigo da família e todo dia ia jantar na casa da família de Tião que ficava disputando sua atenção. Rui era escroto, mas por sorte conhecia gente mais escrota que ele. O único infeliz da história foi o filho do Lobiza que agora vive batendo punheta.
Não percam a próxima aventura de Super-Rui, cujo super-poder é sua escrotice.

Escrito por Brandão enquanto mastiga gelo.

1.8.06

Meus Idolos


Toda criança tem seu herói, as vezes até mesmo medíocre mas mesmo assim algumas crianças se espelham em alguém, sempre elas têm alguém para dizer “Quando eu crescer quero ser igual a esse cara” alguns se espelham nos pais, mesmo que sejam aqueles que sumiram depois de algum dia em que saíram para comprar cigarros, alguns nos ídolos da televisão, tais como matadores, lutadores, espiões e tudo mais.
Eu sempre quis ser igual ao Bond, James Bond. Não só pelos carros esportivos, não só pelos trajes de grife, não por “salvar o mundo”, mas sim pelas mulheres, pelas Bond Girls, desde os primeiros até os últimos filmes.

O estilo de vida Bon Vivant me atraia, antes até mesmo das mulheres, a um certo ponto da minha vida comecei a namorar, a garota até era legal, as idéias batiam, sutilmente eu já começava a controlar as roupas que ela iria usar, o jeito de prender o cabelo, as amizades, os costumes, enfim tudo. Claro de um modo bem sutil, sem tom de ordem, as amigas dela diziam para não se deixar dominar, mesmo assim ela já estava na linha e dizia que minha opinião importava mais, uma vida perfeita apesar de uma só mulher.


Isso até a mãe dela descobrir tudo, acontece que meu pai é bem conhecido pelo bairro como galinha e como filho todas as mães já me julgavam pelas atitudes de meu pai, nenhuma mãe que se preze gosta de ver a filha envolvida com alguém mulherengo, fui do céu para o inferno, esculacho pelo telefone, explicações, encontros escondidos, enfim a família dela –com exceção da irmã e dela claro- me odiava, e conseqüentemente a minha família –exceto meus irmãos e eu- odiava ela e família dela, eu me via numa espécie de romance de novela mexicana e na melhor das hipóteses de Romeu & Julieta, como poderia eu um fã de James Bond virar um Romeu? Ficar brigando com a família, com o mundo para ficar com uma garota? Não, não, eu não poderia ficar nessa, foi assim que eu decidi largar esse personagem e partir para seguir o Bond, James Bond. Comecei a seguir a onda de ficar, beijar um dia e no outro dia só olhar na cara se quisesse um replay, caso contrario era como se nada tivesse acontecido, algumas vezes taxado de frio, mas gostava dessa nova fase, depois de um certo tempo percebi que eu estava me atrasando com esse negócio, pois as mesmas que eu catava num dia chegava em outro cara e liberava depois de um breve período de beijos, será que esse era o segredo? Será que eu estava errado em tentar catar a maior quantidade possível só para dizer que peguei e completar meu objetivo de catar a alfabeto inteiro?

Nessa hora eu lembrei de uma citação filosófica de Bolão um velho conhecido que vivia fazendo um pagode raiz com um cavaquinho na mão nas terças-feiras na Praça Polidóro que ficava perto da rua da feira e sempre chamava os muleques para transmitir sua sabedoria, quando lhe perguntei sobre mulheres Bolão me disse: “mulher é que nem macarrão, não é todo dia que se tem, mas quando se tem você tem que enrolar, enrolar, enrolar, enrolar, enrolar, enrolar e comer!”

Mas é claro esse era meu erro, eu não tinha paciência, não investia, por isso não tinha renda, aliás tinha renda, mas protegendo a tão sonhada buceta.
Comecei a seguir os conselhos de Bolão, comecei a enrolar, enrolar, enrolar, enrolar, enrolar, enrolar... Eu só tinha que diferenciar a “arte de enrolar” da “arte de criar laços”, fui conseguindo as coisas gradualmente começando em apalpadas no joelho, terminando no bum-bum, mas ainda com o jeans entre minha mão e aquela deliciosa nádega, senti vontade de abandonar a teoria do enrolar, enrolar, enrolar (...), mas mantive a perseverança, pois a recompensa era grande (pelos menos assim eu a imaginava, pois a garota era japonesa). Depois de quase 1 mês começou a rolar as chamadas dedadas, mal podia acreditar, uma garota sambando em cima do meu dedo, voltava pra casa cheirando o dedo, cada fungada que eu dava mais eu me inspirava e já bolava os planos, já tentava arrumar as casas dos amigos para a transa.

Não demorou muito para eu conseguir o pacote inteiro num mesmo dia: dedada, caí de boca, depois foi a vez dela e finalmente o sexo! Confesso que não foi nada fenomenal, ao contrario foi bem singelo e no final não sabia se eu usava ou não a expressão “Foi bom pra você?” fiquei quieto, saí de lá orgulhoso de cabeça erguida, louco para encontrar alguém para xingar de virgem (sim isso é um xingo).

Iria agradecer ao Bolão se ele não tivesse morrido de cirrose, mas como não era mais possível decidi seguir essa doutrina em sua homenagem, esqueci Bond, James Bond e fiquei na minha, pois a vida não é cinema. A cada nova garota que pegamos é uma buceta totalmente diferente, nunca você irá pegar duas iguais, por isso eu recomendo que provem essa espetacular diversidade, entretanto não vamos ignorar que precisamos de alguém para conversar, alguém que nos entenda, alguém que você não canse de ter ao lado e é aí que me lembro da minha única namorada. O que nos resta decidir do que abrir mão, se bem que tem cara que na dúvida fica com os dois, eu prefiro um só caminho por enquanto fico com a diversidade.

Escrito por CQCM que estava escrevendo sobre política, quando ouviu o verso do pagode “Dig-dig-dig-iê! Dig-dig-dig-iê-ê!” lembrou-se de Bolão e de sua ex.
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