28.3.07

Saudações Fracassado

Saudações fracassado, gostaria de te cumprimentar lhe desejando um hipócrita “Bom Dia!”, mas seria uma piada de muito mal gosto e somente eu iria rir – e honestamente já ri bastante às suas custas.
Você já ouviu “cuidado com o que deseja”? Pois é, não deu ouvidos e aos poucos te vejo morrendo de frustração, aos poucos cedendo ao cansaço.
Sua vida se resume em conseguir realizar seus sonhos, sonha com o futuro, sonha com uma carreira, gasta sua juventude inteira, sua saúde, seu tempo, em empregos que odeia para conseguir porcarias que não precisa, para manter seus vícios que vão acabar te matando, para investir nas suas tentativas de agradar vagabundas interesseiras.

Te conheço cretino, seu sonho é igual ao de muitos por aí: casa própria, carro e status. Você se mata para conseguir dinheiro para comprar sem se vender, mas não percebeu que já está vendido. Os sacrifícios que são feitos para conseguir manter esse seu estilo de vida já falam por sí, como você é ingênuo, me divirto vendo isso.

Verme, você não é especial, é o mesmo lixo orgânico ambulante que todos, o que diferencia é o modo como cada um encara sua própria existência, você continua aí bebendo suas “loiras”, bajulando quem tem algo a te oferecer, fingindo que gosta de seus miseráveis planos de vida, acha que quando conseguir chegar onde quer terá uma felicidade plena.

Veja pelos dois lados: Caso você consiga chegar a esse sonho de redenção de vida financeira estável, estará velho, sem saúde, sem perspectiva e com um sentimento de que está faltando alguma coisa, não terá histórias interessantes para contar, pois não vivia, vegetava somente, achava que iria colher algo, mas se esqueceu que vegetais não colhem.
Caso não consiga, não pense que a dor será menor, muito pelo contrario, sua dor será aquela da frustração de navegar pelo oceano e morrer no cais, será aquela de ainda ter um pouco de esperança e vê-la morrendo a cada dia, será aquela do reumatismo, será aquela da osteoporose acabando com as suas juntas, será aquela da trombose, será aquela agonizante dor numa fila do SUS com 40° graus de febre, sonhando – como de costume – com um médico.

Vai viver verme, não perca seu tempo com sonhos longínquos.

16.3.07

Dois pensamentos e um destino

A foto não tem nada a ver com o texto, mas achei muito escrota a foto (Gargalhada)

Ela olhava para a tela do computador desanimada, nem parecia que estava lá, seu olhar era distante, como que se de certa maneira estivesse pensando em outra coisa. Suas olheiras bem acentuadas mostravam que não tinha um bom sono há dias, passou o dia inteiro tomando café e indo ao banheiro para passar uma água no rosto, todos no escritório notavam isso, porém tinham medo de perguntar e tomar uma patada, chegou de mau humor sem falar bom dia para ninguém.

Ele estava animado havia pulado cedo da cama mesmo assim com um sorriso enorme no rosto, passou na padaria para comer um pão com graxa e um pingado, mesmo trabalhando em uma empresa grande e ganhando relativamente bem, tinha hábitos simples, no trabalho não via a hora de chegar a hora de ir embora para aproveitar o feriadão, estava mais agitado do que de costume e comentava com o pessoal que estava louco para ir logo para a praia, fazia tempo que não saia e a todo momento ligava aos amigos para combinar as coisas.

Na noite anterior, ela que havia rolado na cama sem conseguir pregar os olhos, uma certa hora da noite levantou de vez e ficou sentada na cama, relembrando o passado e se lamentando pelos problemas presentes, caminhou para janela e começou a olhar para o horizonte, as luzes da cidade a distraia, olhava também para uma pessoa que passava pela madrugada, com passos largos e olhando para todos os lados, parecia esperar pelo pior, ela ficou por algum tempo o olhando e tentando imaginar o que passava pela cabeça dele numa hora daquelas, sozinho a noite, o vento fresco batia no rosto e por um segundo apenas por um segundo ela pensou em se jogar de lá, talvez um daqueles momentos de loucura que todos têm de vez em quando. Ficou imaginando como seria sua morte, mas depois caiu em si e decidiu se afastar da janela, foi até a cozinha, bebeu um copo de água e deitou-se de novo, quando estava pegando no sono o sol já havia nascido e decidiu se levantar, porque apesar se ser braço direito do presidente da empresa não podia faltar assim do nada.

Na noite anterior ele também mal dormiu, mas por ter chegado tarde da rua, deitou-se naquele quarto que havia alugado de uma senhora, ligou a rádio e foi dormir. Acordou como sempre no mesmo horário, tomou um banho, se arrumou e olhou um retrato de sua mãe e irmãos, começou a se lembrar, daquela sua casa humilde no interior, de seus irmãos, de seu ausente pai, de sua mãe no sofá de casa sentada costurando e cantando, lembrou-se também do dia em que decidiu sair de casa para tentar uma vida nova na capital, da sensação de liberdade e receio quando saiu, apenas munido da coragem, sozinho, da sensação ao chegar, das dificuldades que havia passado e que logo o dinheiro para comprar a tão sonhada casa já estava completo, aquela foi a primeira vez em anos que ele parava para pensar no passado, guardou o retrato e foi para o trabalho ainda mais animado, se sentia feliz pela liberdade.

Ela havia sido dispensada mais cedo, pois não estava muito bem, passou na casa de seu ex-namorado, mas ele não estava lá, acabou pegando um caminho com um congestionamento e ficou lá a olhar novamente o mundo com indiferença, via as pessoas apressadas, as crianças fazendo marabalismo e os bebuns nos bares enchendo a cara depois do expediente – ficava se perguntando o “porque ?”.

Ele assim que saiu passou no posto e falou para encher o tanque dizendo ao velho conhecido do posto “É hoje que eu vou pra Miami” dando tapinhas no tanque da moto, colocou um óculos escuro na cara, desceu a rua e viu aquele engarrafamento, mas não havia engarrafamento que iria o impedir, começou a pegar os corredores, um a um, deixando alguns motoristas irritados.

Finalmente ela já estava perto da faixa e parou para olhar um garoto todo sujo que se divertia num canteiro de areia próximo a pista, mas foi interrompida por buzinas que avisavam que o farol já estava aberto, quando foi acelerar, o farol voltou a fechar recebendo assim vários xingos, o farol estava para abrir quando ela pisou fundo e acelerou para sentir uma certa liberdade naquele ato, mas quando estava já há mil se assustou e freou bruscamente fazendo os outros carros também frearem num efeito dominó até que um motociclista voou por cima de alguns carros e foi parar perto de um ônibus, o povo horrorizado olhava pela janela, ela se aproximou em meio a roda de gente que o cercava e ficou olhando a cena perplexa não pôde deixar de sentir a culpa e tentar imaginar o que ele sentia no momento, o que passava por sua cabeça naquela hora, não conseguia parar de olhar para o infeliz que suspirava com sangue no rosto fazendo bolhas de ar com sua respiração fraca, o sangue grosso na guia, a tremedeira em seu corpo, aquele olhar vazio, sem expressão, mas que dizia milhares de coisas.

Ele via todos ao seu redor desesperados, olhando-o com nojo, em estado de choque e aquela roda de gente que nem sequer tentava o ajudar, não pensou na família, não pensou em nada, só não sabia que no dia em que morresse conseguiria achar graça no vestido ridículo que a mulher que o olhava estava usando.

Assim que chegou o resgate ela fitou o bombeiro e ficou tentando imaginar o que passava pela cabeça dele naquele momento, de repente ela viu o garoto do canteiro olhando para o corpo do motociclista, e olhou para o garoto tentando imaginar o que o garoto estava sentindo naquele momento e o que ele estava pensando, também pensou no que o garoto pensou que o motociclista tava pensando naquele exato momento, se é que o garoto tentava imaginar o que o motociclista pensava, de repente ela viu um homem a olhando, e tentou imaginar o que ele estava pensando e se ele também estava tentando imaginar o que ela estava pensando, e se estava, se sabia que ela estava tentando imaginar o que ele estava pensando.Parou um pouco olhou para o cachorro que latia feito um cachorro na pista, e ficou tentando imaginar o que o cachorro estava pensando, se é que estava pensando, o que ele achava que ela pensava que ele pensava.
Mas depois pensou direito e questionou se o cachorro realmente tinha um pensamento racional...
Pensar enlouquece, pense nisso!

Nota: Essa mulher cujo nome (Márcia Jesus Guilhen) deve ser mantido em sigilo, hoje se encontra num sanatório fazendo um tratamento intensivo. Posso te fazer uma pergunta? O que você pensa que eu estava pensando que você iria pensar ao ler esse texto, será que você sabe ou imagina o que eu pensava que você iria pensar? Porque se você for ver bem...


4.3.07

Adestramento de crianças

Há algum tempo atrás postei um manual de como educar as crianças, mas como ainda vejo muitos pais com dificuldades com seus filhos resolvi reciclar o texto e adicionar novas técnicas disciplinares bastante persuasivas. Como disse no texto anterior, dialogo não adianta, a criança não tem maturidade nem discernimento para entender as coisas através de palavras, por isso deve ser adotado exemplos.




1) Trabalhando a auto-estima: Uma criança sempre precisa ser incentivada, mas o fato é que os pais elogiam qualquer merda que o filho faz, falando em merda, existe coisa mais deplorável que gastar dinheiro em fraldas e ver que foi gasto em um monte de bosta, sem contar o cheiro de escremento insuportável? Sem contar no grande merda que seu filho pode se tornar? Daí você começa a se questionar se sua patroa realmente deu a luz pela vagina ou se foi pelo rabo. Mas como dizia sempre incentive o seu filho e diga o que ele merece ouvir:
Ex 1:
-Papai, eu vou estudar para ser astronauta!!!
- Filho, você é burro que nem uma porta e mais feio que o normal... Se algum desconhecido lhe oferecer uma carona, aceite!

Ex 2:
- Acho que vou começar a fumar só para comprar cigarros e nunca mais voltar!

2) Trabalhando as manias: Toda criança tem algum costume chato que vive metendo os pais em situações constrangedoras, tais como ficar mastigando objetos achados no chão, mastigar a manga da camiseta, colocar sacolas plásticas na cabeça, riscar paredes e convidar pessoas desagradáveis para visitas mais desagradáveis ainda. Tire as manias com atitudes energéticas, chamar a atenção somente não adianta:
Ex:
- Tá chupando a manga da camiseta de novo? Peraí...
- Pra que esse monte de roupa pai?
- Pra você chupar! Você não gosta de fazer isso!? Quando eu voltar quero todas essas roupas molhadas de saliva!

3) Trabalhando a violência: Não dê ouvidos a reclamações de um irmão com outro, ou com crianças da rua. Nunca aparte uma briga! Deixe as degladiando até que um desfaleça ou haja sangue demais no tapete. A luta, além de ser uma atividade física saudável, deixará seu filho atento ao mundo, atento aos outros e arisco com tudo, e ele, com o passar do tempo, saberá escolher a melhor arma para acabar com o maldito guri que lhe enche o saco. Ensine técnicas macabras e desonestas – lutar com regras é coisa de viado (ou sapatão), briga de gente é briga de rua: até a morte.

Quando seu filho voltar chorando porque brigou na rua, não seja igual aos pais nabos que vão lá para os pais do agressor do próprio filho conversar e quem sabe até tentar faze-los amigos isso é um péssimo exemplo, assim ele vai aprender a ser um vermezinho que se enrola ao ser pisado, evitando assim as chances de ser pisado novamente, um serzinho subserviente. Por isso cada vez que ele voltar chorando porque brigou na rua, dê uma surra dentro de casa, nada de deixar ele chorar faça-o engolir o choro. Depois disso faça-o marchar para a rua e pedir uma revanche pro garoto, diga ao garoto que se ele apanhar de novo, tomará uma surra que irá fazer a surra anterior parecer um carinho. Depois é só ir lá e ficar na torcida, caso ele caia, não vá socorre-lo fique lá gritando, com certeza irá acontecer igual ao filme do Rocky ele irá lembrar da surra que levou por causa do garoto e irá acabar com o cretino, se o pai nabo do garoto depois vir querer conversar contigo, dê-lhe uma surra, caso contrario estará dando um péssimo exemplo para o seu filho.

5) Choro, irritação, birras e escândalos: Quando seu filho estiver enchendo o saco com esse tipo de atitude, no primeiro piu já olhe torto, caso não faça efeito e ele continue com graça, cascudo no no muleque, tire-lhe a roupa, jogue-o dentro do porão e deixe-o por lá por no mínimo duas horas, sem luz, sem água e sem comida. Nessa lição é importante que você não tire ele de lá por causa de escândalos que ele certamente irá fazer, assim o garoto aprenderá que os escândalos não resolvem nada e sairá de lá mansinho.

6) Trabalhando as lendas: Primeiramente você deve deixar essas merdas de lendas para trás, criaram o homem do saco para poder colocar o medo na criança fazendo-a assim fazer suas vontades. Não preciso dizer que isso é uma declaração de incompetência paterna e materna, o terror, o medo, deve ser imposto pelos pais, ele deve temer os castigos do pai e não de um cachaceiro qualquer que passe na rua, por isso imponha o medo você mesmo. Criaram o papai Noel para as crianças admirarem, dividindo essa admiração com algo inexistente, coisa extremamente errada! As duas vias para conquistar o respeito de alguém é através do medo e/ou da admiração, com essas lendas você estará abrindo mão do respeito. Você deve tirar todas essas idéias sobrenaturais da cabeça de seu pirralho senão logo mais ele vai estar discutindo “carmas” e “reencarnação” em puteiros espirituais, por isso cabe a você assumir o papel de Deus e Diabo num só corpo, Deus na adoração e o Diabo no medo.

Bom é isso, imprima e coloque na carteira, essa é a receita de criação de homens ousados e destemidos, numa próxima oportunidade escrevei sobre como agir na época da adolescência com questões como drogas, mulheres, amizades, vida social e etc...
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