30.9.06

Lobizomem: carroceiro e soro positivo

Uma Pequena homenagem



Lobiza, assim que era conhecido no bairro, era um senhor de 48 anos que tinha uma vida nômade antes de se instalar num cortiço da rua mais perigosa de todo o Ipiranga, vivia da coleta de papelão, latinhas e também de alguns bicos. De uma maneira que ninguém entendia, toda tarde mais ou menos as 18:00, ele sentava no banco da praça jogava pão aos pombos, enquanto olhava para o além pensando em sua vida, tirava uma caneta do bolso e começava a escrever, alguns diziam que corriam lágrimas de seu rosto sofrido e miserável quando ele escrevia, todos tinham curiosidade de saber o que era.

Seu passado lhe condenava aos 14 fugiu de casa para viver um amor com uma adolescente, um ano depois fugiu de novo após descobrir que sua namorada esperava um filho a partir daí viveu sem-rumo e sozinho por alguns anos, mas não era mais aquele jovem indeciso e fujão, era um pai de família de passado vergonhoso e de futuro imprevisível. Em mais um de seus dias em que está voltando pra casa ouve uma voz lhe dirigindo a palavra uma coisa rara de se acontecer, era Kelson o jovem traficante da área:
- Chega aí Lobizá!!
- Diga Kelso!
- Bem, é o seguinte quer ganhar 50 reais?
- Hum! Contanto que não fira minha honra!
- É que eu e os caras tamo apostando, pra ver se você consegue beber esse copinho de cachaça numa golada só! Diz Kelson com um “copinho” de 800ml (aqueles de vitamina) transbordando em sua mão, com um sorrisinho no canto da boca.

Lobiza não pensou duas vezes, alias, nem pensou, mandou pra dentro numa golada só, limpou a boca com a manga da camisa e pegou sua preciosa “onça”, deu uns três passos no quarto caiu no meio da rua, o povo foi acudi-lo, mas não sabia se ria ou se ajudava. As crianças tentavam pegar sua onça, mas ele estava bêbado e não morto. Kelson e seus choravam, mas de rir.


Com aquela multidão em volta quase não dava pra sentir o odor de álcool com sangue que de algum modo jorrava do nariz de Lobiza, mães desesperadas gritavam para seus filhos saírem de perto, pois ele tinha AIDS e nem ligavam para os filhos de Lobiza que estavam perto esperando o momento de seu pobre, mas querido pai acordar e ir gastar a onça que seu pai tinha embolsado, depois de uns 30 minutos ele acordou com um ar de zonzo mas ainda apertando a nota de cinqüenta na mão que nem desmaiado ele soltou, valeu o esforço ele se levantou e foi ate a padaria com seus filhos (que diga-se de passagem não se pareciam com ele) e or lá deve ter gastado seu dinheiro. Um dia após isso nunca mais foi visto.

Informe: Lobiza, essa foi para você, eu vou guardar o seu sorriso vazio, vestido com a camisa do Corinthians ou cantando baixinho as musicas do Raça Negra. Infelizmente o mundo é cruel para pessoas virtuosas como você, pode ser que você já esteja morto ou sendo morto nesse exato momento, mas ninguém conseguirá matar na minha memória a sua imagem batucando na caixa de fósforos as canções de Bezerra da Silva.

Escrito por CQCM que lembrou de um dorme-sujo e chorou por não poder voltar o passado e não gosta nem um pouco de falar de si mesmo na terceira pessoa.

25.9.06

Porque sorri?

Liberdade


O odor de seu caráter me causou enjôo, não tenho estomago para suportar essa sua subserviência aguda, seu sorriso forçado muito me entristece e seu ideal me deprime.
Você pode ser aquele jovem chato, metido a besta, irritante e parasita que vai para a escola por pura e simples obrigação, ouve o que não presta (ainda faz questão de vestir a camisa, literalmente) dá uma de independente, mas depende dos pais até para andar de ônibus ou então fica pra cima e pra baixo de carona.

Também pode ser um universitário medíocre, que jura estar aprendendo algo ou já se tocou que está sendo enganado, fala com pompa para os outros o curso que faz, já vê que sua área é um fiasco em termos de oportunidades, mesmo assim continua a tirar aquelas notinhas que de forma alguma lhe deixa orgulhoso do que faz.

Há a possibilidade de ser um recém-formado, desempregado ou num emprego que não tem merda a ver com sua área, pode estar queimando a muringa estudando pra um concurso que você sabe bem que não vai passar e, se passar, não era isso que você esperava de sua vida. Ainda é dependente dos pais, mas já sonha com um lugar só seu. Lamenta por seu nome não poder mais estar nas listas de estágios e por não ter meia-entrada nos cinemas.


Quem sabe, então, você não é aquele assalariado extremamente mal-pago, que o dinheiro se arrasta no mês e, quando chega perto do final, morre na praia. Totalmente subserviente ao chefe, bajulador, vive com aquele sorriso idiota quando ele passa ou fala contigo. Tem medo de perder o empreguinho e, apesar de odiá-lo, não move uma palha para procurar outro com a desculpa que "tudo está muito difícil". Pode até sonhar em ter uma coisa só sua, mas vê que não tem perfil e muito menos competência pra manter e gerir um negócio - já que você nem o seu guarda-roupas administra direito. Se ainda é dependente dos pais, ajuda com umas migalhas em casa. Se tem um canto só seu, é desconfortável, longe e pequeno. Já acorda cansado, sem entusiasmo e irritado para se arrastar até o martírio.

Pode ser um autônomo ou um pequeno-empresário! Isso mesmo, por que não? Mas sabe que a situação está uma grande merda e coloca a culpa do seu fracasso e do seu baixíssimo faturamento nisso e nos governantes. Tem dificuldade com os sócios, com os clientes e com os fornecedores, além de ter uma esperança ingênua que as coisas irão melhorar. Já perdeu aquele gosto inicial, vê as coisas ruindo e o desespero batendo a sua porta.

Se você não se enquadra em nenhuma dessas situações aí de cima, existem duas possibilidades: ou você, mais uma vez, está dando uma de covarde e mentindo pra si ou é um grande bosta em outro ângulo. Pois é... A sua insatisfação na sua vida estudantil ou profissional sempre estará de mãos dadas com você. É provável que você se entorpeça em alguns momentos e esqueça que você está naufragando sobre um mar de merda e não há terra firme, um dia você se afogará.
Não se desespere: todo mundo está na merda, resta medir a quantos centímetros está submerso. Mas todo mundo - principalmente você - está numa grande merda.

Nossa sarjeta é cristalina... tanto que nela você se enxerga. Não o que gostaria de ver, mas, aquilo que realmente é. Somos o espelho da sua insignificância que representa você e os seus. Somos o retrato fiel, duro e cruel daquilo que você costuma chamar de “eu”.

Uma simples pergunta: Porque você está sorrindo?

19.9.06

As vagabundas quando amam

Essa é boa !!!


A maioria das garotas de hoje têm medo de ganhar fama de vagabunda, se comportar como uma não é o problema, o problema é ser rotulada dessa forma, mesmo assim toda vagabunda discreta um dia dá para um cafajeste falastrão daí vem a tão temida fama. A fama é tão temida porque simplesmente todo homem que chegar nela vai querer somente um orifício para a diversão (quase) gratuita, somente um nabo pegaria uma garota com esse tipo de fama para algum compromisso sério, isso seria assinar um atestado de corno com firma reconhecida em cartório.
Esse é o mal das vagabundas, elas vão tomando banho de sêmen, mas depois quando se cansam querem carinho, amor e é aí que ela se fode.


Não existe coisa mais fácil que iludir uma vagabunda, ao contrário da sabedoria popular, a vagabunda não tem a mínima malicia e o mínimo senso de realidade.
Digamos que você homem está na balada e aquela safada de virtudes sexuais altamente exaltadas nas rodas de macho está te olhando e lhe dando mole, você como todo bom homem chega nela joga uma conversa, arrasta pro matadouro e faz o abate.
Missão cumprida, só que depois daquilo toda vez que você a encontra rola sexo, na sua cabeça aquela garota é uma espécie de miojo é barato e em menos de 3 minutos está pronto é só comer, mas ninguém come miojo pelo resto da vida.
Na cabeça da vagabunda carente de afeto o que vocês dois estão tendo é algo especial e caso ela te veja com aquela garota que vale a pena, arma o maior barraco.

Um exemplo disso temos o de Juliana que era quietinha antes de se envolver nas baladas, tinha um corpo modesto alguns de meus amigos até falavam que ela seria uma garota para namorar, eu claro não concordava, mas não por achar ela uma vaca enrustida, mas sim porque não achava ela atraente em nada, o critério da maioria dos caras era o tamanho da bunda, foda-se o formato, o meu era o formato tinha que ser redondo. Juliana começou a se envolver nas baladas quando vieram nos falar que um conhecido catou ela e a comeu no primeiro dia – espanto geral. A partir daquele dia ela foi ficando a cada dia mais mal falada, os mais radicais não a cumprimentavam beijando-a no rosto por medo de ela ter feito algo antes.

Depois de um tempo veio a bomba, numa balada dessas ela deu pra um sujeito dentro do carro, mas logo após terminar o sujeito a jogou fora do carro toda suja de sêmem jogou whisky na cara dela e a deixou lá com uma cara de “o que está acontecendo?” aconteceu que o sujeito saiu espalhando para os quatro cantos, provavelmente vingança.
Dias desses a vi, estava muito calor ela vestia uma mini-saia e um decote ao olhar o decote vi uma tatuagem com a letra “d”, acontece que esse “d” é a letra do nome da pessoa que estava jantando ela, mas acabou como sempre sozinha.

Enfim a vida amorosa das vagabundas é um Titanic - ou ainda está no cais ou já está no fundo do mar.

16.9.06

Assistencialismo Moderno



O Marabalista
Kleber está saindo do Shopping Morumbi quando no semáforo é abordado por esses menininhos que agora fazem "shows" com limões, o pequeno miserável lhe falou: "Tio, me dá uma moeda... tenho fome". Com um pouco de nojo Kleber disse: "Então me faz um showzinho". Ele pegou dois limões (sim 2, e não 3) e começou a jogá-los pra cima... sabe... com 2 limões apenas não é show... Quando o garoto cobrou, Kleber lhe disse: "Com dois limões até eu faço... vai treinar mais e depois quando eu passar aqui novamente conversamos, se não conseguir chupa esses limões! Não vou lhe obrigar a conseguir um ISO, mas vai treinar vagabundo, por isso que o país tá assim.".

O surdo
Nino e Bruno estão no Mêtro sentados quando entra um homem e começa a distribuir uma régua com um desenho artesanal e um bilhete: “Sou deficiente auditivo e não tenho ninguém, por isso peço a colaboração de vocês para que comprem esse meu trabalho (R$13,00). Grato”
Nino após ler virou para Bruno e disse:
-Agora só porque o cara é surdo eu tenho que pagar 13 conto numa régua, tá tirando!
-Ei!Ei!Ei!Ei! Eu sou surdo mas tenho sentimentos, cara! Disse o surdo.
-Como você ouviu o que eu disse?
-Errr.... o quê?

O Arrogante
O estagiário Thiago estava com o seu chefe nas imediações da Avenida Augusta, quando um mendigo se aproximou do carro e disse, em alto tom:

- Boa Tarde, gentileza. Será se (sic) o senhor não poderia me arrumar unzinho pra eu tomar uma branquinha?

Thiago rindo lhe respondeu:

- Porra, tu é cara de pau. Nem pra falar que é para comer alguma coisa, comprar um pão...

E o mendigo, sem dúvida um homem probo e impoluto, esclareceu:

- Sabe como é excelência. Sou pobre, mas não sou mentiroso...Seria muito leviano da minha parte dizer ao senhor que tenho fome ou que irei comer um pão. Porque não vou. Meu negócio é birita. Pão engorda. E mentir é, sobretudo, ferir um dos poucos valores que me restam; é diretamente contra os meus princípios...

Thiago e seu chefe se sentiram diante de Aristóteles, personificada na forma daquele ébrio dorme-sujo banguela. Seu chefe ficou tão empolgado com aquele exemplo de civilismo, de ética, que imediatamente sacou uma folha de seu talão de cheques, assinou-a e a entregou a ele com o valor em branco, dizendo:

-Vá Aristóteles. Viva-te uma noite de Baco à minha custa. Devo isto a sua dignidade.

Moral da História: Sinceridade e competência é a nova exigência desse mercado.


Escrito por CQCM que acha melhor usar limão para fazer cachaça ou desodorante do que malabarismos com apenas 2.

12.9.06

BBB! Ah! De novo não!



Há alguns dias atrás tive a infeliz notícia que haverá mais uma edição do Reality Show Big Brother Brasil, inacreditável pensei que essa onda de Reality Show havia acabado, mas parece que a Globo ainda aposta nessa idéia ridícula.

Desde a primeira edição percebia que era um programa tedioso, onde os participantes ficam o dia inteiro naquele ócio, a garota passa bronzeador, o garotão de sunga espanta a mosca, outro fuma um cigarro deitado na rede e a musiquinha de fundo dá o clima do show de horrores.

Um programa em que os convidados ficam de sunga o dia inteiro, de tarde vestem um roupão, a noite se escondem embaixo de enormes edredons. E é aí que o desocupado que assiste fica tentando sondar algum movimento sexual ou algum seio à mostra, a outra desocupada tenta sacar algum “complô” da chamada trama, no outro dia ficam no trabalho, no escola, no faculdade, no bar comentando sobre a personalidade de cada uma das capivaras colocadas no programa.

Sim pode perceber amigo leitor, amiga leitora, todos sem exceção são uns quadrúpedes, se caírem de quatro na grama não levantam mais, e parece que sempre o povo tem um carinho maior pelos piores, pelos mais matutos.
Sempre são uns patetas emotivos que vê em qualquer situação motivos para derramarem lágrimas.
Depois de alguns meses aquelas pessoas que não sabiam fazer nada, saem de lá como celebridades, as mais gostosas posam pra alguma revista, os fortões talvez posam na G, aparecem em todos os programas sempre falando de projetos (que por acaso não existe), falando o famoso clichê “É tudo um jogo” e falando das supostas intrigas enquanto estavam enclausuradas.

Os ganhadores são sempre alguém feio ou pobrezinho, que talvez o povo vota com pena, ora se esse bando de alienado não consegue sequer escolher um ganhador de um programa de televisão, imagine só escolher o presidente, por essas e outras que a democracia é foda.

7.9.06

Experiência de cu é rola!!!

“Os mais velhos são mais experientes por isso sabem mais” é o que dizem a maioria das pessoas quando falam com pessoas mais jovens, mas até que ponto experiência ou idade superior é sinal de sabedoria? Existem pessoas que até mesmo se vivessem 300 anos continuariam as mesmas antas de sempre ou talvez até pior.
Tentando entender um pouco mais a verdade por trás disso tudo percebi que quanto mais velha, mais babaca a pessoa fica e não é nem tanto a caducagem, mas sim aquela velha doença chamada nostalgia.
Existem certos tipos de pessoas -na verdade grande maioria- que não conseguem acompanhar o tempo, ficam lá parados há décadas atrás falando com outros da mesma idade que fora o tempo são seus únicos contemporâneos.

Talvez isso explica a vontade de dar conselhos e de se intrometer em assuntos alheios, parece que a vida monótona de um velho o obriga a pensar, pensar e pensar. Coisa que não estava acostumado e já que não estava acostumado se limita a lembrar da época em que agia mais, daí vem a chatice dos velhos, querer passar aos outros suas experiências.

Agora me digam que porra de experiência!? Velho quando não está relembrando o passado, está reclamando (pois boa era a sua época) seja da política, da violência, da aposentadoria, do preço dos remédios e etc.
Basta uma demora na fila do banco que eles já começam a babar e reclamar, quando pegam para falar de política então haja paciência!

Os velhos têm seus mundos particulares, suas morais ultrapassadas, suas birras e seus ideais frustrados o velho é uma criança crescida, e os mais jovens admiram como admiram uma criança, admiram por ter pena ou tentar proteger, porque eles assim como as crianças não fazem nada que não possamos fazer.
Justamente por isso eles têm direitos a mais, antigamente dificilmente você via um velho no banco, agora com essa onda de “Atendimento Preferencial” as filas estão lotadas de pessoas se equilibrando na bengala, se eles não agüentam ficar em pé que mandem um neto ir em seu lugar.

Lembro agora de uma velha que trabalhava na mesma firma que eu, ouvia o programa do Eli Correa na rádio e avisaram que a violência estava demais no bairro em que ela morava, pronto foi o ponto que a velha queria para falar da violência de “hoje em dia”, essa foi a pauta para o dia inteiro e ainda no final da tarde a velha não parava de falar, quando ia embora soltou a pérola: “Eu tô com medo dessa violência, viu! Já pensou acontece alguma coisa comigo, acho que eu vou chamar alguém para ir comigo, ora pois pois!”


Olhei bem para a fisionomia da velha – cabelo pintado podremente de preto na tentativa de esconder os fios brancos, lápis no olho, batom borrado na boca que chegava a ter um pouco na dentadura que era amarelada pelo excesso de café e cigarro, pele da axila e do pescoço totalmente flácidas e aqueles dedos com joanetes nojentos. Pensei comigo mesmo o que a velha acham que vão roubar dela? O cartão da aposentadoria? A dentadura? Documentos do inss? Ou o carnê de mercadorias do Baú que ela acha que vai ganhar um dia? Quem vai roubar uma velha dessa que não sei como ainda não se equilibra na bengala? O que essa velha tá pensando? Mesmo que acontecesse algo ela já é velha!

Claro que toda regra tem sua exceção tem alguns velhos que me agradam como o caso dos ranzinzas ou aqueles mais fechados que não quer papo com ninguém esses sim são sábios.

Escrito por CQCM que não quer ficar velho para dar trabalho aos outros.
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